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Dia Internacional pela Eliminação da Violência Doméstica + Dia de Ação de Graças


O país conhece o meu caso, primeiro pela notícia da altura (2020), e pela minha entrevista no programa Linha Aberta, conduzida pelo criminologista Hernâni Carvalho. Então não vou nem quero falar do que aconteceu, porque se a entrevista que foi só a parte "soft" do caso, chocou o país, imaginem se soubessem tudo! E a mim não faz bem reviver tudo. Mas para quem chegou agora ao blog, sim, sou mãe solteira, porque fui vitima de violência doméstica e tentativa de homicídio. Quando fui resgatada descobri que estava grávida de um mês e decidi ter o bebé, pois o Francisco não tem culpa de nada e não me arrependo nem por um segundo. Mas pelo bem do meu filho, fiz as pazes com o passado. Não desculpei nem tenciono o fazer, nem tenho qualquer contacto com o pai do meu filho. Mas já que não o prendem, também não vou andar triste nem amargurada, porque, como sempre, a justiça é cega e ele continua solto, enquanto ele ainda não foi resolver a paternidade e nem posso fazer um cartão de cidadão ao meu filho, por causa disso. Não significa que esqueci, acho que nunca o farei. Tenho medo de sair à rua sozinha e mesmo acompanhada, estou sempre a olhar por cima do obro, se vejo alguém parecido o meu coração acelera e tremo. Tenho medo de estar sozinha em casa e é rara a noite que não tenho pesadelos com tudo. Mas optei por ter uma vida "normal" para que o meu filho possa ser o mais feliz possível. 


Bom, do meu caso, já falei demasiado. Só vos quero dizer, para não julgarem uma vitima que continua assim porque quer, eu também dizia o mesmo, mas tive a prova viva que só é fácil falar. Primeiro, é um crime, mas são raros os casos em que são punidos, até são mais quando a vitima morre às mãos do agressor. E uma prova é que no dia que levei a primeira tareia a sério, fazia eu 30 anos, gritei por socorro e algum vizinho chamou a GNR, ora o guarda quando entrou, viu-me no chão com sangue e ignorou-me, teve pena dele por estar arranhado, sendo essa a minha arma de defesa, disse que também batia na mulher, para ele me tirar o telemóvel para que eu não pudesse pedir ajuda e da próxima, ligar ao 112 que me levavam para o hospital de S. João, que por sua vez mandavam para o Magalhães Lemos (hospital psiquiátrico) porque é lá o lugar dos malucos! Depois, além de violência física e verbal, há também violência psicológica que nos leva a crer que a culpa é nossa, que merecemos aquilo, como vão sobreviver sem nós e ainda, ameaçam de morte os nossos familiares.

Então tentem ajudar, não se armem em heróis e tentem intervir a menos que seja na via pública, mas caso contrário chamem a polícia, o 112 ou a comunicação social. Podem fazer de forma anónima pois é um crime público, o que faz com que qualquer pessoa possa denunciar. Vamos ajudar a acabar com isto! E no caso de ser na via pública, como fiz na paragem do metro da Sr.ª da Hora, não se limitem a olhar com cara de espanto, nem a terem pena do agressor que tem cara de anjo, como diz o ditado: quem vê caras não vê corações!  Vamos ajudar a acabar com isto!


Hoje é também o dia de ação de graças, aquele marco americano tão importante dos americanos que pelo menos já vimos em filmes e séries. Lamento que ainda não seja um costume em Portugal, porque mesmo que não se acredite em Deus,  podem também agradecer ao Universo. Já que trazemos tradições como o dia dos namorados, halloween, também deveria ser esta que é mais importante. Não somos muito de agradecer, nem mesmo os maiores feitos, quanto mais os pequeninos do dia a dia, que nem notamos. Mesmo que não seja uma tradição nossa, aproveito para agradecer na mesma por:

- a vida do meu filho, com muita saúde e alegria;
- pelo parto abençoado que tive;
- por eu estar bem dentro dos possíveis;
- pelos pais maravilhosos que tenho e pelos grandes avós que são;
- por todos aqueles que me ajudam a não faltar com nada ao Francisco;
- pela vida de todos que amam o meu filho;
- pela vida da doutora Mónica e quem trabalha na Caritas do Porto;
- pela vida dos alunos da Universidade Católica que vão passando por aqui;
- pela vida da professora enfermeira Tânia;
- pelos padrinhos do meu filho;
- pela minha família e amigos,
- pelo Niko;
.- pelos vizinhos bons que tenho;
- pelo doutor Tiago;
- pela minha médica de família, pelo enfermeiro André e a restante equipa do meu centro de saúde que me ajudaram com o quisto;
- pela Patrícia e pela doutora Ivone;
- pelo Padre Tiago;
- pelo Padre Zé Maria;
- por ter um teto;
- por ter sempre pão na mesa;
- ter água quente e luz;
- por ter uma cama limpa e confortável;
- por o meu pai ter emprego;
- e obrigada Deus, por nunca me desamparares.

Amém!

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